sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Filho é filho! Já dizia a sábia raposa...

Não foi à toa que voltei a escrever e antes de voltar no tempo e tentar resgatar as memórias destes quase quatro anos de pausa, vou compartilhando as novidades “fresquinhas”. 

Dias atrás, “Tom”, 10a, chegou em casa com um livro da escola. Aliás, coisa que adoro por estas bandas dos alpes gelados é que a leitura diária é levada muito a sério. E eles tem que ler em voz alta para alguém, que neste caso, sou euzinha. Cada um na sua vez, diariamente e eu virei uma “ouvidora” de histórias. Então, “taveu” fazendo catando algum chinelo, lápis, coco da cachorra algo que não me lembro bem agora e lá vem Tom, pra fazer a leitura deste livro: 



 O livro era daqueles antigões, com a capa dura e um cheirinho peculiar de naftalina (Oi?). Mas era da biblioteca da escola e estava bem conservado e encapadinho. Ainda perguntei a ele: “Quem escolheu este livro filho?” e ele… “eu mãe, achei a capa bonitinha”

O livro não tinha propriamente uma capa com apelo interessante para a leitura, mesmo porque tenho visto os outros livros, mais atuais e convidativos que eles tem trazido ultimamente. Mas o subtítulo sim, acredito que foi o responsável pela escolha de “Tom”. 

Ali dizia: "Uma pequena raposa encontra uma mamãe”.   

E o texto?? Ahhh, o texto era bom,  profundo, tocante (sem frufrus) e nos encantamos. Então caro amigo leitor, vem na varanda, sirva-se de uma boa xícara de café e veja a sinopse que “mara": 

 


 Renardeau 

"Uma raposa  encontra um pequeno bebê raposa órfão. Ela o consola, lhe amamenta e finalmente decide levá-lo para sua toca, onde seus três filhos a esperam. 
Na rota para casa, a raposa e seu protegido afrontam vários perigos. Enfim, eles chegam à sua toca. O pequeno bebê raposa é rapidamente adotado pelos outros três. 
No dia seguinte, quando a mamãe raposa queria apresentar seu novo filho à sua vizinha, ela não conseguia distinguir qual era o recém chegado, pois todos as quatro raposinhas tinham o mesmo odor. 
Um livro para crianças que gostam de ler sozinhos".  

Cataplóft morri de amor

Todo o enredo do livro é bem escrito, e mostra realmente como é o sentimento de uma mãe do coração

Filho é filho minha gente, independente de como ele tenha nascido dentro daquela família. Como já contei em outros posts do blog, eu engravidei duas vezes, mas estas não foram adiante. Não sei o que é ter filhos biológicos, mas sei o que é ser MÃE. Sei como é me sentir MÃE, sentir o cheiro da cria, o toque. A voz deles... sou brava, sou carinhosa, sou firme, sou dengosa. Tenho medos, alegrias, orgulhos e muiiiitos outros sentimentos que toda Mãe tem. 

O sentimento de acolhimento e de ser acolhido em um lar é forte, tanto que “lagrimas de emoção” são comuns em famílias como a nossa. Tudo, cada detalhe do dia-a-dia passa a ser visto pelos pais com muita emoção e cuidado. Eu, particularmente, não deixo passar um fiapo de pó sem que eu dê a atenção necessária (com bom senso, claro!) à todas as informações que eles nos trazem ou que vemos nas atitudes diárias. 

E esse lance de ficar atento e mediando muitas das coisas que o(s) filho(s) faz(em) e que você quer orientar, pode acabar incomodando algumas pessoas que agem de forma diferente em suas casas e dentro da estrutura familiar que possuem.  Voilà... também não sabemos se estamos certos ou errados, mas, temos visto até o momento que estamos em um bom caminho. É na convivência que se encontram as escolhas. Uma mãe também sabe, que apesar dos filhos serem iguais do ponto de vista amoroso, sempre tem aquele(s) que exige(m) olhares mais atentos.  Como dizia o ditado lá em Minas: “É preciso comer um saco de sal juntos pra conhecer realmente uma pessoa”. Levei muito tempo pra entender este ditado popular, mas tenho que reconhecer que o sal se come aos poucos e em pitadas.

Mais do que nunca, posso dizer que o tempo é realmente dono de todas as coisas. Reler os textos de quatro anos atrás me deixaram claro sobre isto. Voltei naquela antiga mãe, preocupada se o filho repetiria ou não a pré-escola e hoje, a mesma mãe vê aquele mesmo garoto, na época recém adotado, que mal falava o português e que agora sorri satisfeito quando a professora diz que ele é ótimo em … alemão? Isso, hoje, “Tom” além da língua materna que falamos em casa, o Português, ele foi alfabetizado em Francês e desde o ano passado, passou a ter aulas de Alemão na escola. Cataploft morro de amor todos os dias! 

Outra coisa que percebemos relendo os posts antigos, foi o quanto nossas escolhas e intuições, todas as orientação através de terapias com psicólogos, fonoaudiólogos e arte-terapeutas nos ajudaram e ajudam ao decidirmos os caminhos que queremos seguir. Sim, pois a vida é feita de ciclos, e com eles também vamos nos renovando e re-organizando tudo aquilo que nos entorna. A vida não é estática, a vida é movimento contínuo assim vejo na quantidade de calças e sapatos que perdem... eita povo que estica gente?!..

No fim do livro, uma imagem que “Tom” me mostrou e disse: 


Mãe, você sempre fala isso. Que filho é tudo igual pra pai e mãe, que você ama nós dois do mesmo jeito. Você viu que a raposa também? Ela nem conseguiu saber quem era o filho adotivo. E você pra mim, mãe, é como a raposa do livro e estes aqui na foto, somos nós dois. Eu e você”


9 comentários:

  1. Nossa que lindo !! Me emocionei com as palavras dele no final!! Que saudades de vcs!!! QUe bom que voltou a escrever!!! bjkssss

    ResponderExcluir
  2. Obrigada pela visita e carinho Pri!! Vamos tirar a poeira desse lugar!! Bisous

    ResponderExcluir
  3. Aii gente, é muito amor, ne?
    O tempo passou voando, já estao crescidos e é tão bom saber que vcs estão bem.
    Me lembro perfeitamente do quanto o mais novo era a sua cara e o mais velho a cara do seu marido. Sempre via sua familia eu pensava, eles foram feitos uns pros outros. =)

    Beijocas, querida.

    ResponderExcluir
  4. Oi Ingrid, isso mesmo e continuam!! E eles crescem muito rápido, né? Bora curtir muito estas fofuras, beijos

    ResponderExcluir
  5. Ju, que delicia poder participar de suas leituras, são sempre tão doces, leves e divertidos, assim como você! Te adoro, e sou sua fã! Beijos Giovana

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Gi, obrigada pela visita aqui no meu cantinho! Um beijo grande

      Excluir
  6. Que delícia de leitura, que alegria te ver de volta! Bjos Jacqueline

    ResponderExcluir
  7. Cadê, cade? Cadê o próximo texto? :)

    ResponderExcluir
  8. Oi Ju, que delicia poder voltar a ler seus textos! Como escreve lindamente bem... fico encantada! Logo no começo do texto já me transportei pra 2010 quando vcs ainda estavam "grávidos" dos meninos... lembro quanto me emocionei ao ver as fotos e o tamanho da semelhança... acredito que veio de encontro com o começo do texto, quando diz que teve duas gravidez e tem dois filhos... lembra que te disse que não sabemos os desígnios de Deus, o por que das coisas, mas elas são como tem que ser...e que assim q vi os vídeos tinha a certeza plena e absoluta que eles eram filhos de vcs... mas todos vcs precisaram de passar por esse processo antes de serem verdadeiramente país e filhos! É lindo de amor incondicional de vcs 5 ( incluindo a Chloe), fico feliz de ter podido abençoar o começo dessa união, de poder estar acompanhando o crescimento de todos vcs e agora, vó,tanto a ter esse privilégio de ler os seus textos! Amooooo

    ResponderExcluir

Seja bem-vindo(a)! Sente aqui na varanda que eu vou passar o café!