segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Das surpresas que a vida nos traz...

Oi!! Voltei, voltei!!! 

Espero eu que desta vez seja pra valer, mas como por aqui não faltam acontecimentos, senta que lá vem história... 

Vou contar em algumas postagens o que aconteceu na minha vida desde o último post, em setembro de 2016. 

Bom...

Tudo começou em fevereiro de 2016, há um ano. Um belo dia acordei com o ouvido entupido. Mas como aqui na Europa as estações do ano são bem marcadas e muitas pessoas sofrem com a quantidade de pólem que circula nos ventos e nas patinhas dos insetos por conta da primavera que vem chegando, eu achei que era uma simples alergia. Mesmo assim, procurei um médico. 

Na consulta, ele fez audiometria (estava tudo normal), fez o exame clínico, a entrevista... e claro, não fechou nenhum diagnóstico precipitado, mas citou algumas possíveis causas, dentre elas, possibilidade de ser algum tipo de vírus ou Maladie de Menière ou Síndrome de Meniėre como é conhecida no Brasil. 

Voltei pra casa ainda com o ouvido tampado e segui vida normal na certeza de que isso passaria. Acreditem, não me atrevi nem a buscar o significado desta doença em site de buscas. Segui a vida que é corrida e fui adiante. 

Em julho, me permiti passar um fim de semana "cazamiga" em Amsterdam (vou postar sobre isto em breve, foi muito bacana) e quando fomos ao Brasil de férias, aproveitei como faço sempre pra ir no dentista e claro, me consultar com um outro otorrinolaringologista. Quem mora pelas bandas de cá sabe o quanto a medicina aqui evita receitar medicamentos fortes, então eu fui ao Brasil crente que faria um tratamento com uma batelada de antibióticos e voltaria novinha em folha "prazeuropa". Ledo engano... 

Fiz os exames e o diagnóstico foi o mesmo... possíveis causas...

Aproveitamos muito as férias em julho no Brasil (apesar de pegar mais frio) e voltamos pra vida normal em agosto, aqui na Europa. Em setembro, ainda com o ouvido entupido, decidi voltar ao meu cantinho preferido: Meu blog, onde eu registro um pouco da nossa história, da minha leitura sobre a vida, sobre o mundo... e em outubro...

Fonte da Imagem: http://audiocontrol.com.br/BlogItem.aspx?id=34&cat=5
Um CAOS!! 

De uma hora pra outra minha vida, meu ir e vir, TUDO, mudou. 

Passei a ter tonturas assim que acordava. Com elas, vômitos imediatos, sem aviso prévio. Não conseguia andar em linha reta. Tom e Jobim (codinomes 😉 dos meus filhos de 10a e 9a) ficaram super assustados, inseguros. Foi então que o diagnostico foi fechado: Maladie de Ménière, ou Síndrome de Ménière. A qual eu estou aprendendo a lidar todos os dias a partir de então. 

Vou contar cada passo, cada conquista, cada erro, tim-tim por tim-tim, pois isso me faltou muito no começo. Assim como conversar, ler e assistir outras pessoas com esta doença me ajudou muito a seguir em frente, eu não posso ficar calada se tenho um meio de comunicação de fácil acesso ( o blog) pra poder partilhar e de alguma forma, ajudar outras pessoas que passam pelo mesmo problema neste momento.

Agora volto com mais um tópico para o Blog. Além de muitos já discutidos aqui como Maternidade, Endometriose, Expatriação, Adoção, agora trago na pauta, uma doença pouco falada, desconhecida, que tem um nome estranho e que assusta muito: a tal da Síndrome de Ménière

Obrigada pela paciência pessoas lindas que vieram aqui e deixaram recadinhos super carinhosos. Estou pensando em voltar a divulgar os posts no Facebook também, mas por lá eu não vou há tempos... e isso também faz parte da aprendizagem deste meu novo ser, lidar com prioridades, uma coisa de cada vez e sempre. 

Até daqui a pouco com mais explicações, desabafos e descobertas sobre a tal...

Bisous, Pandora Resiliente 🙃😃 

P.S. Assim que comecei a procurar sobre a doença nos sites de buscas, eu digitava sempre em português e francês e o que vinham eram enxurradas de más notícias, tipo "amore, a vida acabou"... sério. Então, uma amiga, super leitora do blog, a Giovana, me perguntou se eu tinha digitado em inglês. E dai... a vida voltou a sorrir. A quantidade de pessoas com esta doença nos EUA e no Canadá é tão alta quanto no Brasil e na Europa. O que muda são a quantidade de pessoas que tem a coragem de partilhar suas experiências e ajudar outros a entender o que está acontecendo através de relatos e entrevistas. É fato, aqui na Europa e no Brasil, pouca gente se expõe neste sentido, o que é uma pena. 

Então, aqui vai um vídeo que achei a minha cara, uma explosão de energia, que me ajudou muito na pior fase. Através desta entrevista, percebi o quanto minha alegria é muito maior que as dificuldades e o quanto sou resiliente.  

Me comprometo a colocar legenda futuramente, ok? Me cobrem, mas antes sintam a "vibe" desta atriz que conta que ela e a irmã, sofrem da mesma doença. Vamos com fé minha gente!! Fácil não é, mas tudo se encaixa. 

 



sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Filho é filho! Já dizia a sábia raposa...

Não foi à toa que voltei a escrever e antes de voltar no tempo e tentar resgatar as memórias destes quase quatro anos de pausa, vou compartilhando as novidades “fresquinhas”. 

Dias atrás, “Tom”, 10a, chegou em casa com um livro da escola. Aliás, coisa que adoro por estas bandas dos alpes gelados é que a leitura diária é levada muito a sério. E eles tem que ler em voz alta para alguém, que neste caso, sou euzinha. Cada um na sua vez, diariamente e eu virei uma “ouvidora” de histórias. Então, “taveu” fazendo catando algum chinelo, lápis, coco da cachorra algo que não me lembro bem agora e lá vem Tom, pra fazer a leitura deste livro: 



 O livro era daqueles antigões, com a capa dura e um cheirinho peculiar de naftalina (Oi?). Mas era da biblioteca da escola e estava bem conservado e encapadinho. Ainda perguntei a ele: “Quem escolheu este livro filho?” e ele… “eu mãe, achei a capa bonitinha”

O livro não tinha propriamente uma capa com apelo interessante para a leitura, mesmo porque tenho visto os outros livros, mais atuais e convidativos que eles tem trazido ultimamente. Mas o subtítulo sim, acredito que foi o responsável pela escolha de “Tom”. 

Ali dizia: "Uma pequena raposa encontra uma mamãe”.   

E o texto?? Ahhh, o texto era bom,  profundo, tocante (sem frufrus) e nos encantamos. Então caro amigo leitor, vem na varanda, sirva-se de uma boa xícara de café e veja a sinopse que “mara": 

 


 Renardeau 

"Uma raposa  encontra um pequeno bebê raposa órfão. Ela o consola, lhe amamenta e finalmente decide levá-lo para sua toca, onde seus três filhos a esperam. 
Na rota para casa, a raposa e seu protegido afrontam vários perigos. Enfim, eles chegam à sua toca. O pequeno bebê raposa é rapidamente adotado pelos outros três. 
No dia seguinte, quando a mamãe raposa queria apresentar seu novo filho à sua vizinha, ela não conseguia distinguir qual era o recém chegado, pois todos as quatro raposinhas tinham o mesmo odor. 
Um livro para crianças que gostam de ler sozinhos".  

Cataplóft morri de amor

Todo o enredo do livro é bem escrito, e mostra realmente como é o sentimento de uma mãe do coração

Filho é filho minha gente, independente de como ele tenha nascido dentro daquela família. Como já contei em outros posts do blog, eu engravidei duas vezes, mas estas não foram adiante. Não sei o que é ter filhos biológicos, mas sei o que é ser MÃE. Sei como é me sentir MÃE, sentir o cheiro da cria, o toque. A voz deles... sou brava, sou carinhosa, sou firme, sou dengosa. Tenho medos, alegrias, orgulhos e muiiiitos outros sentimentos que toda Mãe tem. 

O sentimento de acolhimento e de ser acolhido em um lar é forte, tanto que “lagrimas de emoção” são comuns em famílias como a nossa. Tudo, cada detalhe do dia-a-dia passa a ser visto pelos pais com muita emoção e cuidado. Eu, particularmente, não deixo passar um fiapo de pó sem que eu dê a atenção necessária (com bom senso, claro!) à todas as informações que eles nos trazem ou que vemos nas atitudes diárias. 

E esse lance de ficar atento e mediando muitas das coisas que o(s) filho(s) faz(em) e que você quer orientar, pode acabar incomodando algumas pessoas que agem de forma diferente em suas casas e dentro da estrutura familiar que possuem.  Voilà... também não sabemos se estamos certos ou errados, mas, temos visto até o momento que estamos em um bom caminho. É na convivência que se encontram as escolhas. Uma mãe também sabe, que apesar dos filhos serem iguais do ponto de vista amoroso, sempre tem aquele(s) que exige(m) olhares mais atentos.  Como dizia o ditado lá em Minas: “É preciso comer um saco de sal juntos pra conhecer realmente uma pessoa”. Levei muito tempo pra entender este ditado popular, mas tenho que reconhecer que o sal se come aos poucos e em pitadas.

Mais do que nunca, posso dizer que o tempo é realmente dono de todas as coisas. Reler os textos de quatro anos atrás me deixaram claro sobre isto. Voltei naquela antiga mãe, preocupada se o filho repetiria ou não a pré-escola e hoje, a mesma mãe vê aquele mesmo garoto, na época recém adotado, que mal falava o português e que agora sorri satisfeito quando a professora diz que ele é ótimo em … alemão? Isso, hoje, “Tom” além da língua materna que falamos em casa, o Português, ele foi alfabetizado em Francês e desde o ano passado, passou a ter aulas de Alemão na escola. Cataploft morro de amor todos os dias! 

Outra coisa que percebemos relendo os posts antigos, foi o quanto nossas escolhas e intuições, todas as orientação através de terapias com psicólogos, fonoaudiólogos e arte-terapeutas nos ajudaram e ajudam ao decidirmos os caminhos que queremos seguir. Sim, pois a vida é feita de ciclos, e com eles também vamos nos renovando e re-organizando tudo aquilo que nos entorna. A vida não é estática, a vida é movimento contínuo assim vejo na quantidade de calças e sapatos que perdem... eita povo que estica gente?!..

No fim do livro, uma imagem que “Tom” me mostrou e disse: 


Mãe, você sempre fala isso. Que filho é tudo igual pra pai e mãe, que você ama nós dois do mesmo jeito. Você viu que a raposa também? Ela nem conseguiu saber quem era o filho adotivo. E você pra mim, mãe, é como a raposa do livro e estes aqui na foto, somos nós dois. Eu e você”


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Naturalmente assim...

Primeiro que foi incríveeel!!

Foi incrível reler os textos de anos atrás e perceber que muitos dos meus medos e anseios se foram e marido pula de alegria que parte da doida desapareceu e quantas coisas aconteceram neste período de pausa. 

Pretendo relatar cada uma destas preocupações, pois assim como eu me encontrava, muitas mães estão nesse exato momento. 

Outra coisa é explicar o motivo da pausa. Tive que parar meus devaneios por motivo de força maior (uhuh, sempre quis falar bonito assim), que envolvia acima de tudo a preservação pela identidade e privacidade dos nossos filhos. E quando algo vem a ameaçar tudo aquilo que estamos construindo com muito cuidado e amor, eu particularmente, assumo meu lado leoa e defendo minhas crias com unhas e dentes.

Por isso paramos.

Por isso desta vez resolvemos usar codinomes "Tom e Jobim".

E, foi também por motivo de força maior que voltamos.

Neste período de pausa continuei ativista da minha maior causa. Tratar a adoção com naturalidade e orgulho faz parte do meu dia-a-dia, é ar que respiramos e pude perceber que as crianças percorrem o mesmo caminho e o sentimento que tenho em relação a isto, é de um orgulho danado, que transpassa qualquer "mimimi" dogmático que o tema carrega. Verdade minha gente, a verdade traz segurança e é uma troca justa nas relações inter-pessoais.

Assim, tivemos alguns episódios muito bons neste período de quase quatro anos de hibernação do blog pausa.

Nosso caçulinha, que aqui chamaremos por "Jobim", estava na escola há uns dois anos (na época com sete anos) e de repente o tema era Reprodução Humana. Como um assunto leva a outro, de repente, na rodinha da "suiçada" surgiu o tema, Parto.

A professora começou a explicar como as crianças saem da barriga das mães e não sei o que ela mostrou (mas posso imaginar), os alunos entoaram um "ARGHHHH" de nojinho em coro. Logo depois ela explicou pra garotada: " C'est la vie!" (Eita fase do nojinho esta, heim? Fazem isso para algumas sopas minhas)... mas enfim:

Imagem retirada da web
Então, eis que J. levanta a mão desesperado (tudo isto quem me contou foi a professora) e diz:

_"Eu não nasci assim!! Eu nasci do coração da minha mãe!! 

Bom, claro que depois em casa eu expliquei pra ele que independente de ter tido dois nascimentos (Oi??) , mentira, disse que apesar de ter nascido dos nossos corações, o processo de vir ao mundo é parecido para a maioria das pessoas.

***

Mas após o causo acima, a professora me chamou para uma conversa particular. Aqui, eu relatei que nos mudamos de casa e que com isso eles teriam que mudar de escola, e na época, achei que não havia a necessidade de relatar o fato da adoção no período da matrícula. E para minha surpresa, o que é raro por aqui, a professora se emocionou muito ao conversar conosco. Primeiro pois ela queria saber se J. estava inventando aquela história ou se era realmente verdade, dado ao fato que ele é a minha cara ( ráh!). Entre lágrimas e pedidos de desculpas, ela me dizia o quão surpresa estava com a novidade e me disse que em trinta anos de profissão, era a primeira vez que via uma história de adoção ser tratada naturalmente, sem que isso fosse um problema ou um segredo de família. No fim, eu e a professora choramos juntas, por motivos de contentamentos diferentes e "Jobim", não entendeu nada. Só me abraçou e disse:

_"Vai ficar tudo bem mamãe".

Você tinha razão filho!

Bisous, Pandora "Giga bites", tentando relembrar tu-do e mais um pouco.  


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Estamos de Volta!


Após um período de três anos e meio de pausa, finalmente estamos de volta! 

Nota:

A fim de preservarmos à privacidade de nossos filhos, decidimos então continuar o blog "Contos de uma Mãe Pandora"com a mesma linha de sinceridade e transparência de sempre, porém, optamos por substituirmos suas verdadeiras identidades por codinomes.  

Portanto, agora em nossos contos REAIS, utilizaremos os seguintes codinomes:

"TOM", para nosso filho mais velho que hoje está com dez anos, 
"JOBIM", para nosso caçulinha, hoje com nove anos.

Espero curtam muito nossos contos reais, a gente adora trocar ideias! 





  



sábado, 20 de abril de 2013

O que era doce, se acabou.

De repente, mãe.

A vida de um casal expatriado, morando lá longe, nas terras escandinavas havia mudado com-ple-ta-men-te.

Nos tornamos pais, mudamos de lá (Noruega), para cá (Suíça). Um "caos" cheio de novíssimas informações.
*
A mãe e o pai, nasciam aos poucos.

Alegria
Ansiedade
Excitação
Amor
Medo
Cansaço
Ternura
Paz
Carinho
Perseverança

**
Então, surgiu a vontade de desabafar, falar, de organizar os sentimentos todos que a adoção havia trazido juntamente com o início da maternagem. Daí, surgiu o blog, o Contos de uma Mãe Pandora.
***

Foram apenas um ano e oito meses de blogagem (mais de cem mil visualizações de páginas), muitas amizades surgiram de lá pra cá e ele, (o blog) atingiu seu objetivo principal: trocar ideias, auxiliar alguns pais que pretendem seguir os passos da adoção, registrar uma etapa importante de nossas vidas e compartihar alguns momentos que foram importantes, tanto os bons, quanto os ruins.

E após completarmos dois anos e nove meses pais de filhos queridos e amados, venho aqui me despedir dos leitores.

Os co-autores desta história, meus filhos, são os melhores presentes que poderia ter em minha vida e com a convivência diária e todo carinho que temos pelos dois, as angústias foram diminuindo, diminuindo e foi ficando apenas o que é de praxe na vida maternal: O amor incondicional ao filho, que não importa de onde este (estes) tenha (tenham) nascido (barriga/coração), é filho. Os desafios são todos iguais.

Outro fator foi, que a medida em que as demandas com a idade foram aumentando, menos tempo tenho tido para dar a atenção que um blog merece, desta forma, tenho priorizado o que é realmente importante neste momento: A atenção e participação na vida deles.

Quero agradecer e deixar um beijo especial aos amigos, leitores e seguidores queridos pelo apoio, incentivo e troca de ideias deste tempo juntos e espero vê-los um dia em alguma livraria, pois, quem sabe desta pausa, ainda não surja um terceiro "filho" com folhas e capa? Nunca se sabe, não é mesmo?

E pra não perder o estilo,

Bisous, Pandora que amadurece e assume uma nova etapa da vida.

Au revoir mes amis!!



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

É o ponto de vista da mãe - história em quadrinhos da vida real

Eu estou sumida do blog por vários motivos. Entre eles estão:

  • Mudança de apartamento;
  • Necessidade incontrolável em colocar TUDO em ordem sem ajuda extra :-(
  • Vida que não para não... A rotina continuou idêntica;
  • E muitas novidades que tenho que contar por partes. A falta de tempo me limita um pouco, mas voilà:  

Uma delas foi, ou melhor, está sendo, é a semana de aulas de esqui das crianças. Uma atividade obrigatória interessante em países como este, onde a neve é uma realidade por alguns meses. 

Mas o que poderia ser uma oportunidade incrível para a mamãe ter um tempo só pra ela durante três horas diárias (aqui na Suíça isso é raridade), virou uma tortura. Mas "pera lá", estamos falando de Mãe Pandora, né? Glória Peres, isso aqui dá uma novela heim, amiga?! 

Sim, eu sou obrigada a admitir!

Sou super preocupada quando as crias estão longe do alcance das minhas mãos e preciso melhorar este ponto. Mas estou tentando e um grande passo esta semana vem acontecendo quando deixo os dois no ponto de trem todos os dias e volto pra casa me sentindo sem sapatos. Sabe aquela sensação em que você fica apalpando o casaco, procurando a chave? Fico meio indecifrável nos cinco primeiros minutos, mas depois vai passando, vou gostando da sensação e páh! Corro pra cozinha pra preparar aquele lanche gostoso para quando voltarem... doente ela, não? Sou dessas...

Mas no primeiro dia, não teve jeito. O pânico tomou conta do meu ser e eu não resisti. Subi a montanha no trem, junto com eles. Imagine só a cena: Crianças a partir de três anos SOZINHAS sentadas nos bancos dos trens, sem mães, babás (acho que suíço nem sabe o que é isso), apenas com os monitores (No Trem, eram DOIS). 

_"E quantas crianças tem hoje?" Pergunta a mãe crica (EU) à monitora.

_"Sessenta madame". Respondeu a professora. 

Sessenta??? Foi o que fiz, me sentei, passei o zíper na boquinha e fiquei indignada, chocada, atordoada... muitos adjetivos para esta cabecinha. Glória Peres!!! Veja bem!!

Mas, chega de bobagem e vamos ao que interessa. 

Hoje tem uma história em quadrinhos real, aos olhos da mãe lesada:


"Mãe, que mico. Só você está aqui." Pensam...


"Hrumph!! Estas crianças tão perto do trem... Óh céus, formem filas em outro lugar minha gente!!" Divaga esta mãe neurótica...

Os alunos começam a confabular o primeiro plano:
" Primeiro a gente amarra sua mãe no banco e depois empurramos as professoras morro gelado abaixo." 

Lá em cima, a criançada começa a entender o território. Mas o primeiro plano não deu certo. A mãe doida aqui não está amarrada e ainda tira muitas fotos. 

"Irmão, isso é um esqui, tá?" Explica o irmão mais velho.
"Haaaaa, tá!!" Errrrr, e você achou que era o quê, heim"? Responde o irmão mais novo.  

"O que é que eu estou fazendo aqui? Queria uma piscina, muito sol e água de coco agora"...

A mãe começa a sentir esperança e ver luz no fim do túnel.
"Ahhh, a professora é legal. Cuidadosa, meiga, amiga e até ajoelha para falar com eles"...
A mãe se sente segura em deixar os filhos e descer a montanha de trem sozinha e parar de "pagar mico". 

"Me segura, me segura. Isto escorrega muiiiittooo".

"Uouuouuou, eu vou cair"!!!

"Até que é legal né, irmão? E a gente nem vai precisar empurrar ninguém ladeira gelada abaixo. Eles são todos do bem"!! 

É, mas ainda faltam dois dias, hoje e amanhã, portanto, cenas de um próximo capítulo, ok? 

Bisous, 
Pandora que aprende vagarosamente a deixar os filhos crescerem. 
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A construção do vínculo na relação afetiva.

Nem sempre o óbvio, é óbvio.
Nem sempre o que eu vejo é claro para o outro.
Nem sempre sou racional.

Hoje, a caminho de uma conversa com a psicóloga de "Tom", eu e o marido conversamos sobre um assunto que, creio eu, foi mais válido que a própria conversa que a que tivemos com a profissional.

Contemplamos a respeito deste garoto que tem um coração enorme. Ele é a gentileza em pessoa!
Tête-à-tête, ele é uma criança apaixonante, e não é papo de mãe não, heim? Ele conversa, ouve e inspira a contação de muitas estórias pelos adultos. Um fofo! A questão é no grupo.

Não sabemos ao certo se esta dificuldade provém de sua experiência no abrigo com outras crianças, pois algumas vezes presenciamos umas brigas entre ele e outra criança que também morava lá, ou de qualquer associação que por ventura ele possa vir a fazer em um ambiente com mais estímulos. O fato é que ele, dentro do grupo, extrapola. Ele assume uma tonicidade corporal visível e a agitação predomina, o tornando o dono do barulho, dos grunhidos, correrias e afins. O que não é errado, mas um pouco exagerado e desta forma, o leva a necessitar de um trabalho terapêutico, como tem feito.

Seria, esta dificuldade, uma forma de chamar atenção dos outros? Ou, conforme diz o ditado popular, "o buraco é mais embaixo"?

Na minha opinião, a segunda opção.

Pelo histórico que temos de sua experiência de vida dele até os quatro anos, destes quatro, dois em um abrigo, penso que para ele, amar pode estar relacionado à dor. Imagine uma criança que não teve os cuidados necessários enquanto bebê, que teve desta forma, que aprender a se defender de um sentimento que é nato, em nós seres humanos, pois gostamos sim de sermos cuidados, de nos sentirmos amados.

Pense que, quando este cuidado falta por algum motivo, temos que aprender a lidar com as ferramentas internas que dispomos, e a maior delas, é a defesa, certo?

Defesa do quê? De quem?

Do vínculo. Do amor. 

Estar tranquilo é deixar que o outro se aproxime, e de uma certa forma, que se aproprie de nós.

É se deixar ler, é conhecer o outro da forma mais íntima e tornar-se vulnerável. É deixar-se amar e amar junto (sem medo), nem que seja em uma brincadeira de pega-pega, ou na construção de uma torre de plástico juntos. A relação é de cuidado, de amor e da construção de vínculos afetivos. Uma relação inter-pessoal plena, sem limitadores.

Quem se defende da aproximação por medo da entrega, repele. Repele o outro (ou os outros) das mais diversas formas. No tapa (o que não é o caso), no grito, na agitação, na hostilidade, no excesso... ou simplesmente, na não disposição ao vínculo. Afastar-se é a melhor saída. Só que não.

É assim que leio meu pequeno-grande menino. É a forma como sinto o que as palavras não dizem, ainda. Uma criança de 6 1/2 anos que demonstra uma dificuldade enorme e compreensível ao estabelecer vínculos duradouros, pois fazê-lo, seria arriscado demais. Amar de novo? Me entregar como o fiz tão pequeno e correr o risco de perder, ter que me desapropriar de algo tão bom?

Temos, eu, meu marido, nossa família, escola, profissionais que o acompanham (psicóloga e logopedista*) tentado re-estabelecer a ideia de um vínculo de amor que durará pra sempre, independente de qualquer coisa, de mudança, distâncias e afins. O importante é a certeza de que estamos juntos.


* Definição de Logopedia / Logopedista, aqui. 


Bisous, Pandora que filosofa







quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Minha relação com a amamentação.

Este post contém fragmentos de uma história que custei a colocar pra fora...
Imagem da web

Eu queria ter escrito este texto ainda adolescente, pois desde aquela época o tema amamentação surgiu na primeira terapia que procurei sozinha, na tentativa de tentar entender o incomodo que insistia em aparecer e eu não sabia de onde.

Na época, me indicaram um então conceituado profissional e foi então que comecei a fazer parte de um grupo selecto de pessoas que leram o prospecto de um dos livros escritos por ele, antes de ser publicado: "Terapia pela roupa", do psicólogo Mamede Alcântara. Meu nome está lá, nos agradecimentos :-), é só conferir.

Durante um momento da terapia, surgiu no inconsciente um sentimento estranho. Eu sentia uma fome e uma dor muito grande, como uma agonia mesmo. Chorei, tive cólicas, me contorci. Neste momento, ele me pediu para chegar em casa e conversar com minha mãe e saber um pouco mais sobre meu nascimento, meu parto, enfim, meu passado.

Minha mãe (mãe de três), uma pessoa muito sábia, que sempre conversou muito conosco, não se intimidou. Ao questiona-la, ela me falou aquilo que eu já sabia, mas com mais detalhes. A conversa, foi mais ou menos assim:

Imagem da Web
"Quando eu fiquei sabendo que estava grávida de você, levei um susto muito grande. Eu já tinha dois filhos, morava longe da família e a diferença entre você e seus irmãos é pequena (uma escadinha de dois em dois anos). Então, descobri que sua irmã estava com rubéola,  e comecei a me sentir mal, a ter tonturas e enjôos. Foi neste período que fiquei sabendo que estava grávida novamente. Imagine uma época onde não existia ultra-som e a informação que tínhamos era de que se o feto fosse contaminado poderia nascer com muitos problemas. Então, apesar de lhe querer, sua gestação passou por períodos tensos. E você nasceu, linda e perfeita! Foi um alivio saber que você estava bem, mas a consequência disto foi que meu leite "secou". Te amamentei poucas vezes e você começou a ter muitos problemas. Naquela época o leite de vaca já não era recomendado e então, começamos a procurar amas de leite pra você (o que era permitido). As amas de leite eram pessoas que tinham tido filhos na mesma época e estavam amamentando. Eu chegava com você nos braços e pedia para deixar você mamar também. Muitas, seguravam você e o filho ao mesmo tempo, um em cada peito. O que era lindo, ao mesmo tempo não era muito bem vindo. Algumas estavam cansadas e apesar de nunca negarem o peito a você, a mamãe sentia que estavam exaustas. Ao todo foram cinco amas de leite, muita gente ajudando. Seu avô paterno, nos levava para todos os lados em sua Brasília, ele foi um verdadeiro anjo. Mas você começou a apresentar sintomas alérgicos, não aceitava leite de nenhuma mama mais e tivemos que interna-la. Você chorava muito, muito mesmo. Acredito que era a dor da fome que sentia."
Bom, fiquei um bom tempo internada, desacreditada e um dia, minha mãe ajoelhou-se no hospital e prometeu que se eu me recuperasse ela costuraria pijamas de flanela para todas as crianças carentes que estavam na enfermaria. Fé e amor se uniram e eu me recuperei.

Ok. Não sei porque, mas escrever e falar sobre isto quase trinta e oito anos depois, faz-se necessário por algum motivo. De alguma forma alivia. 

Quanto às minhas amas de leite, conheci todas, como também conheci meus irmãos de leite. Mamamos juntos e eles (as) dividiram comigo uma dádiva, amor em líquido. Sou grata a todas as amas, algumas, já no andar de cima. Meu eterno agradecimento!

Mas a história da amamentação e esta relação na minha vida, não acaba por aqui. Ela volta, trazida pelo elo empático que me une aos meus filhos.

Meus filhos nasceram dos mesmos pais. Eles são irmãos biológicos, diferentes, mas que segundo o relato que temos nos autos do processo, nasceram de uma família monogâmica. Os pais biológicos, acusados por negligência, não ofereciam os cuidados necessários à sobrevivência dos mesmos, o que levou o Estado  a retirar a guarda dos mesmos. A mãe biológica, os amamentou até aproximadamente um ano, mas nenhum outro alimento fez parte da dieta, mesmo após os seis meses, momento em que são introduzidos novos alimentos. A partir dali, quando a criança tem fome e necessita de alimentos sólidos,  de exercitar o movimento da mastigação, nada os era oferecido. O papel, a função, era amamentar, nada mais (nada mesmo).

Então, eu tenho um paradoxo muito grande. Um agradecimento enorme a esta pessoa que trouxe ao mundo meus filhos e principalmente por ter-lhes apresentado o primeiro vínculo de amor, que é o peito, o leite materno, o contato pele-a pele e o cheiro. Mas ao mesmo tempo, me dói a ideia de que meus filhos tiveram também, uma ideia de amor associado a dor, pois apesar de querer não pensar, me vem a "sutil" ideia de que eles tiveram muita fome, principalmente após os seis meses de vida.

É muita "neura"? Pode falar gente.

E quais foram as consequências desta relação?

Eu ainda não consigo dimensionar.  Mas bem no início da adoção, meus filhos pediram para mamar no meu peito várias vezes.  Acredito que se eles fossem bebês de até dois anos eu até tentaria, pois muitas mães adotivas conseguem fazer isto com os filhos, mas no meu caso eles eram maiores.

Durante estes dois anos e oito meses juntos, ainda vejo fragmentos deste período. O caçula, por exemplo, não pode ver uma mãe amamentando um mesmo um animal amamentando sua cria que fica hipnotizado, literalmente. A última vez foi na "Casa do Papai Noel", onde havia um gatinho de pelúcia amamentando vários filhotes. Ele parou, ficou um tempo contemplando a cena e ainda pediu para o irmão ficar em silêncio, pois ele queria apenas olhar. Perdi a conta de quantas vezes eles me perguntaram se eu os amamentei.

Corta o coração? Corta.

Eu engulo seco, pois por muito menos, sinto até hoje a falta que a amamentação fez em minha vida como mulher e também, em minha vida como Mãe.

E acreditem.  É muito difícil me expor assim e expor uma parte da história dos meus filhos, crianças que tanto admiro. Mas este blog, "Contos de uma Mãe Pandora" não tem este nome à toa, não. Nós, mães, mulheres, retiramos de dentro de nossa "caixa" interna, sentimentos de diversas natureza e algumas vezes, a dor, é um deles.

Amamentação é dádiva. Queria eu ter tido esta oportunidade de criar este vínculo com meus filhos, mas a vida me trouxe um novo caminho e é nele que me encontro e me acho.



E lá vou eu, seguindo em frente!
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Bisous, Pandora bem resolvida


domingo, 20 de janeiro de 2013

Série co-autores, conte sua história no blog! Hoje, a conquista do parto natural e quem nos conta é a Karime.

Hoje a série co-autores do Contos, renasce, literalmente. 

Além de trazer um lindo relato de parto, dia 20 de janeiro de 2013, é o dia em que a personagem principal desta história real, a Lara, completa 1 aninho. 


Parabéns Lara!! 

Voilà, o conto:



Bom dia Mamães! Hoje, dia 20, minha filhota completa 1 ano :) E para comemorar e começar o dia com toda boa energia e em alto astral compartilho com vocês como foi o parto dela... FOI ASSIM: 

Pessoas queridas do meu coração, estou aqui, menos de dois anos depois do relato do nascimento do Luca para escrever sobre o parto da Lara! Uma experiência tão marcante e intensa que é preciso respirar fundo várias vezes para tentar traduzir tamanha emoção em palavras...


Como sabem, sonhava vivenciar o parto natural e por se tratar de uma tentativa depois de uma recente cesariana tudo já era naturalmente diferente... opiniões daqui, estatísticas dali, pesquisas de lá, ‘achismos’ acolá ... e o meu desejo acima de tudo! Sorte, muita sorte estar em um país (Canadá) que o normal é o parto normal! Ou seja, o sistema estava (e esteve!) a meu favor.


Mas ainda durante a gestação, lá pela trigésima semana, verificamos em uma ecografia que nossa menina não estava sentada (como o irmão) e nem encaixada! Estava transversa, ou seja, deitadinha, na única posição que impossibilita qualquer tentativa na hora H de ter um parto normal. Foi aquele suspense, e agora?! Bom, agora vou tentar de tudo para ajudar ela virar, falei para o Gu (marido) que me apoiou prontamente em todas as estratégias: acupuntura, sessões de quiropraxia, homeopatia...E? Virou! Foi aquela festa! Comemoramos muito mesmo, inclusive a mandala que pintei na barriga foi para celebrar. Agora minhas chances de ter um parto normal estavam bem mais próximas.


Era só esperar o grande dia...


A data prevista para o parto era 15 de janeiro, quando completei 40 semanas, mas como o Luca nasceu de 37 quase 38 ficou aquela expectativa... mas a Lara soube esperar! Esperou o Luca ficar bom de uma infecção no ouvido que fez com que ele tomasse o primeiro antibiótico da vida e que me fez ‘esquecer de parir’ pois tinha que cuidar do meu filho! Soube esperar a família se recuperar de um resfriado coletivo que quase me derrubou e realmente no estado em que fiquei não teria condições... soube esperar a vovó chegar do Brasil e foi perfeito! Ela me ouviu direitinho. Falava com ela na barriga: espera a mamãe ficar boa... e ainda: eu quero que você nasça durante a semana e durante o dia! (pois assim o Luca estaria na escolinha e minha mãe e o Gustavo poderiam estar comigo...)


E foi assim!


A meia-noite do dia 19 para o dia 20 começaram as contrações! De dez em dez minutos. Perto das duas da manhã liguei para a Doula que se chama Isabelle e que já estava contratada para me acompanhar durante todo o trabalho de parto. Ela me disse para telefonar novamente quando estivesse de 5 em 5 minutos, liguei novamente antes das seis da manhã e ela veio aqui pra casa, nisso eu já estava usando a bola de pilates para aliviar a dor, minha mãe já estava massageando a região lombar em cada contração, fazendo tudo que sabia e podia. As sete da manhã o Gustavo saiu para levar o Luca na escolinha (ele nunca tinha ido tão cedo! Praticamente abriu a escola..) quando o Gu voltou pra casa eu disse que queria ir para o hospital, estava com medo de andar de carro e não ter posição para ficar durante as contrações, parecia que estava prevendo... aqui começa ‘cena de filme’ o Gu depois me contou que quando ainda estávamos na esquina de casa eu já perguntei se estávamos chegando ao hospital...tinha entrado para a ‘partolândia’, perdido a noção...Gustavo dirigindo, minha mãe na frente com ele e eu a doula no banco de trás que era para ela ter como ao menos tentar massagear a lombar...vixi! Cada contração eu gritava e o Gu ali dirigindo, resumindo: o trajeto que demora normalmente 15 minutos levou 50! Gu teve que desviar o caminho, pegou um pedacinho de rua na contramão, entrou em uma ruela com muita neve, o carro chacoalhava e eu berrava!


Chegamos ao hospital. Ufa! Logo na entrada, na recepção uma contração, me apoio no balcão e me inclino pra frente, nessa hora já não via nada e nem ninguém a minha volta, alguém oferece uma cadeira de rodas mas eu não podia nem pensar em sentar... ando até o elevador, e ali o que? Mais uma contração! Me abaixo e sinto que as pessoas que estavam ali meio que congelam e ‘pararam de respirar’... um silêncio absoluto... sim! eu estou parindo (pensei)...


Enfim, entro na sala de parto, nove e pouco da manhã, o médico verifica e eu estou com 7cm de dilatação, escolho tomar um banho de banheira, foi uma horinha no paraíso! Na água as contrações são mais suaves e a hidromassagem me fez relaxar e tomar fôlego. Ao sair as contrações já estavam super hiper próximas, logo cheguei a 8,5 de dilatação e aí..... gritava, berrava, gemia, urrava...foi o momento onde senti realmente as dores do parto! Por segundos tive medo de não conseguir. Pedi socorro para o Gustavo, perguntava pra ele em alto e bom tom: mas o que que é isso??? E ele me olhava com aquela expressão de: não sei e nem nunca vou saber! E segurava minha mão. A Doula me dava água fresca para bebericar, colocava toalhas úmidas na minha testa para me refrescar e minha mãe rezava (isso ela me contou depois, não estava ajoelhada ali no meio da sala não...)! Apesar de parecer uma eternidade não deve ter durado mais do que 20 minutos...logo, logo e 10cm! Agora sim chegou o grande momento.


Eu deitada na cama e duas enfermeiras do meu lado direito, duas médicas na minha frente e o Gu, a Doula e minha mãe (filmando tudo) do meu lado esquerdo.


Pedi para ser a primeira a tocar na minha filha e quando ela já estava bem encaixadinha, ‘coroando’ a médica falou que eu poderia sentir a cabeça dela ali, foi um momento muito emocionante, ao encosta-la, ainda totalmente dentro de mim, os batimentos cardíacos dela aumentaram (ela estava sendo monitorada, por ser um parto normal depois de uma cesárea alguns cuidados são necessários) e a médica me disse: o coração acelerou, ela sabe que é a mamãe! Aquilo me deu um desejo tão intenso de segurá-la em meus braços que me concentrei ao máximo para que ela nascesse! O parto natural é com certeza um movimento em sincronia, nós duas ali no mesmo ritmo, mãe e filha, com a mesma intenção: a vida, o nascimento, o ar!


As 12h00 em ponto, do dia 20.01.2012 a Lara respirou! Eu senti o ‘circulo de fogo’ a médica auxiliou a saída da cabecinha e me falou: venha ‘buscá-la’! Choro de lembrar. Nunca vou esquecer, registrei em cada célula do meu corpo essa passagem... Eu estava realizando um dos maiores sonhos da minha vida! Segurei embaixo dos braços da minha filha e a tirei de dentro de mim. Meu Deus! Que emoção! Que sentimento indescritível, que sensação maravilhosa, vale e valeu tudo...


Minha filha, minha filhinha, eu consegui!!! Bem-vinda Lara!


Nasceu linda, doce, serena e consciente.


Com 3.455 kg e 50.5 cm. Sem medicamentos, sem anestesia, sem interferência. Parto natural! Viva!


Gustavo cortou o cordão umbilical e depois nós dois fizemos o pele a pele com ela, primeiro ela ficou deitada no meu peito e depois foi a vez do papai ficar enrolado com a filha em toalhas quentes, a vida nos nossos braços. Que benção.


O apoio que recebi do Gustavo, da minha mãe, da doula e de toda a equipe do hospital foi fundamental. Uma atmosfera de respeito absoluto. Estive segura, amparada e totalmente consciente de tudo, senti as contrações, controlei as respirações e fiquei no comando total do meu corpo, realmente conduzindo, como eu queria, o nascimento da minha filha.



Amo essa foto! Quando o Luca conheceu a Lara. O olhar dele diz tudo...

No fim do dia o Gu trouxe o Luca para conhecer a irmã, foi paixão a primeira vista! Desde então é muito carinhoso com ela, sempre me pede para segurá-la, da beijinhos e mais beijinhos de esquimó e mesmo ainda aprendendo a falar faz uma voz diferente para brincar com ela. Olhar os dois assim é um presente.


Quando Lara completou um mês já mamava super bem e dessa vez o aleitamento foi desde o início um sucesso, Graças a Deus.


Minha mãe ficou conosco durante um tempo e foi maravilhoso! Me ajudou muitíssimo.


A vida segue com a nova rotina de cuidar de dois nenéns...dois tamanhos de fralda diferentes, quando percebemos estamos cada um em um canto trocando a fralda de um deles ao mesmo tempo...continuamos fazendo tudo da forma que acreditamos ser a melhor para nossa família. A cama é compartilhada, só com a Lara! Luca desde que eu cheguei do hospital com ela passou a dormir em um futon no quarto dele (os dois berços da casa continuam sendo usado pelos bichinhos de pelúcia). Luca parou de mamar durante minha gravidez – meu leite secou, agora amamento a Lara também em livre demanda e nem lembro que existem mamadeiras e chupetas... O banho é no chuveiro e logo no balde, carrego no sling...preferimos assim. Acredito cada vez mais que não existe o certo ou o errado, nem a fórmula perfeita e muito menos a mágica... o que existe realmente é o amor incondicional dos pais, por aqui seguimos unidos e em paz, escutando o coração e a intuição.


Beijo nossos pra vocês!



A diferença entre eles é de 1 ano e 8 meses, na foto o Luca está dormindo e a Lara mamando...
Karime, Lara aos 6 meses, Luca e Gustavo

É uma honra ter co-autores como a Karime no blog. 
Obrigada Karime, por transbordar emoção, força de vontade e amor em suas palavras. 
Um beijo grande em toda família ou melhor, 
Bisous, principalmente para a Lara, pelo seu primeiro ano de vida!!

Valeuuuuu!!!
Pandora, que crê na vida e em pessoas que acreditam nela. 
terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Mudança gera mudança...



A placa de aluga-se acabou de ser colocada no apartamento. Mas o texto não é apenas sobre mudanças físicas e de espaço, afinal, toda mudança, gera mudança. 
Confesso que foi uma mistura de sentimentos. Por um lado fico feliz em mudar, pois o lado prático da vida está difícil, afinal, o espaço foi ficando pequeno a medida em que as crianças foram crescendo. Mas por outro lado, este lugar, foi mais que um simples apartamento alugado na Suíça, ele foi o início de uma estabilização familiar, ou a tentativa "de".

Explico:
Para quem acompanha o blog, sabe que tivemos, no início da adoção, uma adaptação com as crianças no Brasil e outra na Noruega. Ambas em um período total de sete meses, então, apesar de todo nosso esforço em estreitar vínculos com nossos filhos (na época "Tom" tinha quatro anos e "Jobim", dois anos e meio), tínhamos a preocupação em apresentar-lhes um lugar pra “chamar de nosso”.

_”Esta é a NOSSA casa, este é o quarto de vocês…”

Então, assim que nos mudamos para a Suíça, a pressa determinou o destino. 
Vimos alguns apartamentos antes deste que dentre tantas opções, ora era pequeno, ora era muito caro, ora era afastado de tudo e ao chegar neste aqui, sentimos que era o suficiente para começar uma história.
Nos mudamos, colocamos uma plaquinha decorativa com o nome deles na porta do quarto e conseguimos muitas proezas nos últimos dois anos. Foram muitas visitas que ficaram apertadinhas, muita farra com amiguinhos que vieram almoçar  e brincar conosco após a escola e "Tom" teve seu aniversário de seis anos  feito aqui, foi só arrastar móveis e criar um layout possível para tamanha felicidade. 

E os vizinhos?

Aqui na Suíça, conhecemos muitas histórias de vizinhos que chamam a polícia por tudo (inclusive por barulho de aspirador de pó aos domingos e descargas após às 22h) e nós, durante dois anos, morando no primeiro andar (não é térrreo), nunca tivemos nenhuma reclamação. Nadinha mesmo.

Usamos o espaço comum do prédio com nosso pula-pula, montamos uma trave para jogar futebol, fizemos boneco de neve… foram tempos muito bons e dividindo espaços com suíços. Tivemos sim, um acidente de percurso (pago por nosso seguro), uma vez que o caçula jogou uma pedrinha em um foço, ela quicou e caiu em cima do capô do Porsche do vizinho… $$$$$$ mas, C’est la vie!

Mas chega um momento em que temos que tomar uma decisão e muitas vezes, esta exige o desapego, o despreendimento de algo que é bom ou muito bom. A mudança vai além do aspecto físico, ela gera outras mudanças internas. 

Onde moramos atualmente, a vista é linda, um presente aos olhos, mas é privada de transporte público de fácil acesso, a escola é longe e não consigo ir caminhando com as crianças, pois são 25 minutos de caminhada para perninhas tão pequenas e diga-se de passagem que os horários aqui são diferentes do resto do mundo, só pra lembrar:

Das 8h35 às 11h10;
Os filhos almoçam em casa;
Retornam às 14h15 até 15h45.

Conversa ao pé do ouvido: Na minha opinião, isto é muito bom para as crianças, sem dúvida. Tirando o fato de que o horário de almoço é demasiadamente longo, temos a oportunidade de ver e curtir de perto a infância. Mas a minha crítica é quanto à organização dos horários escolares, que nada mais é que o fruto de uma mentalidade ainda machista, de um país que deu o direito ao voto para as mulheres apenas em 1957.  O horário engessa e dificulta a tentativa de inserção das mulheres/mães no mercado trabalho, mesmo em porcentagens de carga horária menores, o que é um absurdo. 

Mas, voltando ao tópico "mudança", pedimos à comuna local que nossos filhos permaneçam na mesma escola onde estão matriculados até o fim do ano letivo (junho/2013), o que gera mais uma vez, outros desafios, principalmente para a mãe (moi!!). Estaremos mais longe desta escola, porém, por seis meses apenas. Apesar dos pensamentos feministas que insistem em me questionar o tempo todo, sou Mãe, com M maiúsculo. Minha prioridade agora, são meus filhos  e não quero dar margem ao mi mi mi, pois esta, definitivamente, não sou eu. 

Já estou me programando para os próximos seis meses de modo que tudo caminhe dentro daquilo que considero bom pra todos, inclusive pra mim.  “Óhia”!!

O plano, para este período, é o seguinte:

  1. 1.    A limpeza da casa ou a "casa perfeita" (vulgo, casa de revista), vai ficar pra história. Roupa limpa, comida BIO e BOA, felicidade geral da nação e uma mãe sem neurose e linda. Estas sim,  são as prioridades!!
  2. 2.     Para não ficar no vai e volta interminável:  casa/escola, escola/casa, casa/escola, escola/casa (8 ways), me munirei de muita roupa anti-chuva, anti-neve, anti-preguiça e tentarei caminhar e correr pelo menos dois dias da semana, no período da manhã, lá pelos arredores da escola mesmo. Assim, não preciso ficar no bate-volta. O serviço de casa que espere!!
  3. 3.     Eu mesma faço minhas unhas (MUACK!! beijo no ombro, eu me amo!!) e continuarei sempre assim, até encontrar uma manicure que cobre muito menos que R$110,00 e nem tira a cutícula. Alguém??
  4. 4.     Derrota passa longe daqui gente. Odeio verdadeiramente este sentimento. Repudio. Posso estar triste, morrendo de saudade da família, frustrada, cansada… mas tô de batom. E sabe quando isso começou a ganhar força??? Com os filhos meninOs. Se eles me vêem sem batom, sem esmalte (COLORIDO) nas unhas, vão logo me cobrando. Filhos gostam de ver pais felizes gente, já perceberam?
  5. 5.      O valor da mudança na Suíça é caro, como tudo por aqui. Em uma curta distância, eles nos pediram a equivalência de R$ 3.400,00, mais as taxas. É o preço e todos sabem que a Suíça é um dos países mais caros da Europa. Então, para não ficar muito mais caro que isso, me responsabilizei em embalar as miudezas. E como juntamos bugigangas, socorro!! Uma boa hora para a faxina interna também. Jogar fora tudo aquilo que não nos faz bem, sentimentos penosos que nada acrescentam e mágoas que nos adoecem. Tudo vai para o lixo. Oremos!! 
  6. 6.     “All we need is less”, este é meu lema para 2013.  Estou doando, vendendo e simplesmente me desapegando de muitas coisas. Menos é Mais!!! 

Enfim, mudanças não acontecem apenas fora da gente.

Se permitimos que nosso olhar vá mais longe, acabamos por aprender muito com os outros. Aprendemos até o que não fazer, não é mesmo?

Penso que re-significar algo que vivemos também é muito válido para a ocasião. Seguir adiante na certeza de que felicidade não se tem o tempo todo e ela não vem amanhã, se Deus quiser. Felicidade se constrói com as pequenas atitudes que tomamos no dia-a-dia. E eu tento, nossa, se eu tento. 

Por exemplo, não sou ativista, mas neste blog luto sim para ser respeitada e ter o respeito que meus filhos merecem, pois ainda existe muito preconceito sobre adoção. Se eu me deixasse abater pelas besteiras que leio, que escuto... Se soubessem o quanto me revolta ler uma notícia com títulos iniciados desta forma: “Filho adotivo pega o carro dos pais…” Dias atrás, uma pessoa que não sabia que eu era mãe adotiva, disse:

_..."Ah, sim. Eu conheço uma pessoa que... mas seu filho é adotivo (bem pejorativo), então, já sabe, né?... 

E como este, existem tantos outros comentários cruéis, que só sabe, quem vive. 

MAS!!!!! Veja bem, comentários como estes, que me revoltam, não me desqualificam, não me derrubam. Pelo contrário, são um grande alfinete que me cutuca a continuar. Firme e Forte, pra Frente.


Mas eu sei. Assim como a história do mundo muda constantemente e exigem que mudemos também, as mudanças vão aos poucos acontecendo dentro da gente. Mudar gera desconforto, mas é necessário. Não é fácil enxergamos a realidade e a vida longe de nosso umbigo e daquilo que julgamos entender.

E a gente tenta, né? Que assim seja.

"Bora", trabalhar gente. Tem um monte de caixa me olhando aqui com cara de "E aí? Vai demorar com o devaneio?" 

Bisous, fui!!